Gastronomia por Roberta Sudbrack
17/08/2007 ..
A cara das moedas de chocolate...
Li num desses e-mails que circulam pela Internet - que eu particularmente não abro - uma frase que era mais ou menos assim: “Quero me preocupar mais com as moedas de chocolate, com as quais eu me lambuzo, do que com as verdadeiras”. Achei lindo e me lembrei das velhas moedas de chocolate da Pan! Quem não lembra delas? Acho que ainda existem e de vez em quando dão as caras por aí.
Falando ainda em dar as caras, sejam as das moedas de chocolate, sejam as nossas, ontem foi um dia lindo no restaurante. Eu, que andava meio triste com certas atitudes, fiquei emocionada com o que aconteceu. Todos os dias, a gente dá literalmente a cara para bater ou para ser beijada, só não sabemos qual das hipóteses será a escolhida, quando nos propomos a fazer um trabalho que envolve tanta emoção. É como eu disse ontem: quanto mais você se expõe, mais tem que estar preparado para a repercussão que isso pode causar.
Acordamos todos os dias dispostos a dar o melhor de nós e evidentemente estamos sempre querendo emocionar. Ontem a casinha laranja estava lotada de gente por todos os lados, gargalhadas, tilintar de copos, barulhos de talheres, gritos vindos da cozinha, correria e emoções típicas de um dia agitado. Num dia como esse, as chances de eu conseguir sair da cozinha são mínimas tamanha é a concentração que devemos ter para que tudo saia “quase perfeito”. Às vezes consigo, noutras não. È o ônus de se optar por uma vida regada ao calor humano e infernal da cozinha. Mas confesso que isso não me incomoda, porque literalmente acredito que a cozinha é o meu lugar!
Um dos fatos que me entristeceu ultimamente, diz respeito justamente a isso. Diante de tantas manifestações carinhosas que recebi em razão da minha participação no programa da Gabi, recebi também, no meio delas, uma de uma senhora que foi ao meu restaurante. O tom agressivo nada tinha a ver com o fato dela ter gostado mais ou menos da comida, mas com o fato de eu não ter ido até sua mesa, coisa que ela categorizou como gafe. Fiquei extremamente triste não só por perceber que ela realmente não entendeu nada da essência e nem da filosofia do meu trabalho, mas, sobretudo, com o tom desrespeitoso que as pessoas presumem possam assumir em certas situações.
Enfim, como toda moeda tem dois lados, mas felizmente só uma cara – mesmo as de chocolate! – ontem presenciei a emoção pura e sem conservantes, tomar conta das mesas da casinha laranja à beira do canal. O que me fez hoje acordar mais cedo e mais disposta para estar diariamente no lugar que escolhi para viver: a cozinha!
Até!
16/08/2007 ..
Dar as caras...
Usamos freqüentemente esse termo e, outro dia, parei para refletir sobre ele em função de alguns acontecimentos que me entristeceram bastante. É normal todas as vezes que apareço mais, ou na linguagem popular, dou as caras com mais intensidade, eu acabar ficando mais exposta e vulnerável para certas coisas. Não que isso me preocupe, porque gosto das coisas francas e bem claras. Quem aqui convive sabe disso.
Talvez essa minha exagerada insistência, na verdade, cause, em alguns, uma certa estranheza e até, por que não dizer, uma certa desconfiança. Compreendo, porque vivemos num mundo muito instantâneo e o que se diz hoje pode não valer mais amanhã. Recebi mais de 100 e-mails em razão da minha participação no ótimo programa da Marilia Gabriela. Seria utopia da minha parte acreditar que todos eles seriam para dizer coisas agradáveis. Mas não é que foram! Que felicidade! Ainda não consegui responder a todos e aproveito para me desculpar, pois faço questão de responder pessoalmente.
Foi uma deliciosa surpresa receber tantas manifestações de carinho explícito. Quase me senti importante! Mas o mais importante, em minha opinião, foi realmente ter dado as caras! Ter sido eu mesma inteira e a cores, sem medo de ser feliz. Ter sido verdadeira. Esses valores eu aprendi dentro de um berço que não foi embalado nem por mãe e nem por pai, mas por mãos ainda mais marcantes, já que tive a honra e a graça de ter sido criada pelos meus avós.
Meu avô sempre me disse uma frase que levo comigo para onde quer que eu vá, assim como as minhas facas de estimação e o meu Frederico: “O importante é deitar a cabeça no travesseiro todos os dias e poder dormir...”. Mesmo exausta e elétrica depois de um dia exaustivo na cozinha!
Até!
15/08/2007 ..
...
Faz quase dois dias que não consigo nem passar por aqui... Nem mesmo dar uma olhadinha nos comentários e saber como andam as coisas! Não me sinto bem quando isso acontece, afinal, temos um acordo. Acordo esse que não representa apenas compromisso ou obrigação, mas, cuidado e cultivo.
Apesar disso, sei que pelo menos nesse espaço, o respeito é mútuo e cultivado dia após dia, como os brotos e ervas, que a dona Fátima do Sitio Verde Orgânico, planta e rega cuidadosamente para mim. Esse respeito é sem dúvida o motor que impulsiona as grandes coisas. E as grandes coisas, muitas vezes são tão pequeninas em tamanho – como os brotinhos de beterraba da Fátima! – mas tão imensas em sabedoria e amor cultivado.
Espero que esse pequeno texto, não tão belo, nem saboroso como os brotinhos orgânicos da Fátima, possa expressar – mesmo que rapidamente, entre a compra de um peixe e a decisão de um menu! – todo esse amor que há mais de um ano cultivamos por aqui.
E como eu já disse tantas vezes: as reticências falam mais do que muitas palavras... Por isso começo e termino com elas hoje...
Até!
13/08/2007 ..
Vegetariano Futebol Clube...
A receita a seguir tem dois propósitos: o de pagar a promessa feita aos vegetarianos na semana passada e o de entreter os que não poderão estar na aula do T&D hoje na casinha laranja à beira do canal! Além disso, hoje na aula também faremos algumas incursões no mundo vegetal, que tanto anda me encantando.
Os que já conhecem sabem que, no mínimo, a gente se diverte e come muito bem! Além disso, é uma terapia fantástica para afastar o estresse do dia-a-dia. Tanto o nosso, quanto o dos alunos, que para estarem lá hoje, em plena segunda-feira, tiveram que deixar o mundo do lado de fora por algumas boas horas. Mas vai valer a pena porque “nós somos livres, independente futebol clube!”
Até!
Ravióli de beterraba assada e parmiggiano
Por Roberta Sudbrack
Para 8 pessoas
Ingredientes
Massa:
800 g de farinha de trigo especial peneirada
200 g de farinha de grão duro peneirada
8 ovos caipiras bem frescos
4 gemas de ovos caipiras
2 colheres (sopa) de azeite de oliva extra virgem
1 colher (chá) de sal
Recheio:
50g de parmiggiano reggiano ralado
1kg de beterraba orgânica
1 colher de azeite de oliva extra virgem
1 colher de manteiga
200g de ricota fresca de baixa acidez
pimenta do reino moída na hora
sal
Finalização:
Cebola croustillant:
1 xícara de azeite de oliva extra virgem
4 cebolas finamente fatiadas
½ xícara de broto de beterraba orgânica
20g de parmiggiano reggiano
1 xícara de manteiga
Modo de preparo
Recheio
Lave e seque bem as beterrabas. Corte-as em pedaços sem retirar a casca e asse em forno médio com o azeite e a manteiga até que estejam bem macias, cerca de 20minutos. Coloque a beterraba, a ricota e o parmiggiano no multi-processador, tempere com sal e pimenta do reino moída na hora e utilizando a função pulsar bata com cuidado até obter uma mistura lisa.
Finalização/cebola croustillant:
Aqueça todo o azeite em uma panela e doure a cebola em imersão mexendo sempre até ficar crocante e dourada. Retire e coloque imediatamente em uma peneira para escorrer.
Massa
Coloque as farinhas misturadas em uma superfície plana e faça uma cavidade no meio deixando as bordas altas.
Coloque os ovos e as gemas na cavidade do meio e bata com o garfo para misturar bem.
Acrescente o azeite de oliva, o sal e misture.
Misture a farinha com os ovos aos poucos, até formar uma massa que desgrude das mãos. Se a massa estiver muito úmida acrescente mais farinha misturada, se estiver muito seca adicione mais 1 gema de ovo até adquirir uma massa homogênea. Misture bem a massa por 15 minutos.
Cubra e deixe descansar por no mínimo 1 hora.
Abra a massa na espessura desejada, recheie com a mistura de beterraba e faça raviólis médios com a ajuda de um cortador.
Manteiga noisette:
Derreta a manteiga até ficar ligeiramente queimada, deve ficar com a cor e aroma de avelã.
Cozinhe a massa e escorra. Disponha os raviólis no fundo dos pratos, cubra com um pouquinho de parmiggiano ralado, um fio de manteiga noisette e finalize com a cebola croustillant e os brotinhos de beterraba.
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